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sexta-feira, 16 de junho de 2017

REVISÃO REVOLUÇÃO FRANCESA (15 QUESTÕES)

Fala galera!!!
Cumprindo o combinado com as turmas 2001 e 2002 do Colégio Exame segue uma lista com 15 questões sobre a Revolução Francesa para que todos possam revisar esse assunto tão importante!!!

Espero que aproveitem... BOM TRABALHO!!!

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1.   A passagem do século XVIII para o século XIX inaugura o que, convencionalmente, se denomina de história contemporânea. Depois de quase quatro séculos de acumulação de capital, de comércio colonial, de sucessivas guerras hegemônicas e contra-hegemônicas, da desestrutura do feudalismo, da expansão da linguagem escrita e do ensino, da lenta conquista e subjugação de outras civilizações, a Europa teve de enfrentar uma profunda transformação de seu processo histórico.
SILVA, André Luiz Reis da. A nova ordem europeia no século XIX: os efeitos da dupla revolução na história contemporânea. Ciências & Letras, Porto Alegre, nº 47, p. 11-24, jan./jun. 2010.  

No contexto descrito, o desenvolvimento da burguesia iniciou uma nova era, que teve como principais marcos históricos 
a) a Revolução Industrial e a Francesa.   
b) a Reforma Protestante e a Contrarreforma.   
c) a Comuna de Paris e a Primavera dos Povos.   
d) a Guerra da Crimeia e a Guerra Civil Americana.   
e) a Guerra dos Trinta Anos e a Guerra dos Sete Anos.   
  
2.   A Revolução Francesa foi um dos momentos mais importantes no processo de formação do mundo contemporâneo. Foi um movimento violento que sepultou o absolutismo na cena política e o mercantilismo na economia, tendo um papel de grande destaque a burguesia, interessada em instituir um regime que atendesse aos seus interesses. Durante a revolução tomou forma um corpo legislativo denominado Assembleia Nacional, que tomou parte central na consolidação das reformas objetivadas pela revolução. 

Dentre as principais reformas realizadas na fase moderada da Revolução Francesa (1789-1791), pela Assembleia Nacional, podemos citar CORRETAMENTE:
a) Abolição dos privilégios especiais do clero e da nobreza; Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão; subordinação da Igreja ao Estado; elaboração de uma constituição para a França; reformas administrativas e judiciárias; e ajuda à economia francesa.   
b) Declaração Universal dos Direitos Humanos; elaboração do Edito de Nantes, que dava liberdade religiosa para os não católicos; criação do Banco da França; legalização da anexação dos territórios da margem esquerda do Reno; elaboração do Código Civil Francês.   
c) Criação do Código Civil Francês; criação do Banco da França; elaboração da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão; elaboração das primeiras leis trabalhistas que proibiam o trabalho infantil; concessão do direito ao voto às mulheres.   
d) Direito de voto para todos os homens, independente da renda; favorecimento de legislação que incentivava o capitalismo comercial; reforma do sistema educacional com a criação dos liceus clássicos e de ofícios; maior autonomia para as províncias históricas da França; criação de uma estrutura descentralizada de governo na França.   
e) Regulamentação das leis trabalhistas na França; extensão do direito de voto para todos os homens e mulheres maiores de 18 anos; reconhecimento do direito de minorias; criação do Código Civil; a França se tornou uma confederação descentralizada, dividida em cantões com alto grau de autonomia política; elaboração da Constituição Civil do Clero.   
3.   “O governo revolucionário tem necessidade de uma atividade extraordinária, precisamente porque ele está em guerra. Suas regras não são uniformes nem rigorosas, porque as circunstâncias são tumultuadas e inconstantes (...). O governo revolucionário não tem nada em comum com a anarquia nem com a desordem. Sua meta, ao contrário, é de as reprimir para implantar e consolidar o reinado das leis.”
Discurso de Robespierre diante da Convenção, 25 de dezembro de 1793. In: COSTA, M.; DOUBLET, F. (coord.). Histoire Géographie, 4ª ed. Paris: Magnard, 1998. p. 60.

Durante a Revolução Francesa, ao assumir a direção da Convenção (1792-1794), os jacobinos adotaram medidas para conter as forças contrarrevolucionárias. 
O discurso de Robespierre, ao afirmar que as ações do governo revolucionário não podem estar submetidas a regras uniformes e rigorosas, procurava justificativas para
a) a criação do Tribunal Revolucionário, para julgar os suspeitos de atitudes contrarrevolucionárias. Muitas vezes, o destino dessas pessoas era a morte na guilhotina.   
b) a instituição do voto censitário, sendo assim apenas pessoas com posses poderiam exercer o poder de voto e se candidatar para mandatos eletivos.   
c) a convocação dos Estados Gerais, órgão consultivo formado por representantes dos três estados e que não se reunia desde 1614.   
d) a criação do Diretório, órgão que desempenhava o poder Executivo e era composto de cinco pessoas eleitas entre os deputados.    
e) a coroação de Napoleão Bonaparte, definida a partir de um plebiscito que aprovou o fim do Consulado e a transformação da França em Império.   
  
4.   Leia com atenção.

Hino da França – A Marselhesa (tradução)

Avante, filhos da Pátria,
O dia da Glória chegou.
Contra nós, a tirania
O estandarte encarnado se eleva!
Ouvis nos campos rugirem
Esses ferozes soldados?
Vêm eles até nós
Degolar nossos filhos, nossas mulheres.
Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos
Nossa terra do sangue impuro se saciará.

O Hino da Revolução Francesa, que mais tarde se tornaria o Hino da França, reflete muito do espírito de luta e sede de mudança que se expandiu principalmente entre
a) os clérigos e nobres, que procuravam manter os privilégios de que gozavam, principalmente em relação aos impostos.   
b) os burgueses que, em muitos casos, apesar de possuírem condições econômicas, não possuíam a participação política desejada.   
c) os camponeses, que pretendiam romper de vez com os laços escravistas que ainda ditavam as relações de trabalho na França.   
d) os representantes do proletariado em ascensão na França que, apesar de ter uma indústria incipiente, começava o processo de Revolução Industrial.   
  
5.   O texto abaixo refere-se à Revolução Francesa.

O Terror é doravante um sistema de governo, ou melhor, uma parte essencial do governo revolucionário. Seu braço. (...) Ele é também um meio de governo omnipresente, através do qual a ditadura revolucionária de Paris deve fazer sentir sua mão de ferro em todos os lugares, tanto nas províncias quanto nas forças armadas.
FURET, François ; OZOUF, Mona. Diccionnaire critique de la Révolution française. Événements. Paris: Flammarion, 1992. p. 298-299.


Considere as seguintes afirmações sobre o denominado Terror.

I. O governo jacobino, dirigido por Robespierre, e o Comitê de Salvação Pública foram responsáveis pelo período do Terror.
II. O Terror foi uma política de extermínio liderada pelos girondinos de origem burguesa.
III. O objetivo dessa política centrava-se na defesa da Revolução contra os inimigos internos e externos.

Quais estão corretas?
a) Apenas I.   
b) Apenas II.   
c) Apenas III.   
d) Apenas I e II.   
e) Apenas I e III.   
  
6.   Atente para as seguintes citações:

I. "Os reis, aristocratas e tiranos, independentemente da nação a que pertençam, são escravos que se revoltam contra o soberano da Terra, isto é, a humanidade, e contra o legislador do universo, a natureza."
(Maximilien Robespierre, líder e comandante do terror Jacobino, defensor de ideias revolucionárias para aquele tempo, como voto universal, eleições diretas, educação gratuita e obrigatória, e imposto progressivo, segundo a renda.)

II. "[...] garantir a propriedade do rico, a existência do pobre, o usufruto do industrial e a segurança de todos."
(Boissy d'Anglas, sobre o objetivo da Constituição de 1795, da qual foi o relator, promulgada pela Convenção após a queda do regime de terror implantado pelos jacobinos sob liderança de Robespierre.)

Analisando as citações acima, pode-se afirmar corretamente que
a) representam, respectivamente, os momentos de maior radicalização popular e de acomodação burguesa dentro do movimento revolucionário que derrubou o Antigo Regime na França em 1789.   
b) caracterizam o processo de reação da nobreza que, liderada por Robespierre, atacou os interesses da burguesia que a escravizava.   
c) significam o fim do Estado Burguês, pois tanto Robespierre quanto d’Anglas desejavam a segurança de todos os franceses indistintamente.   
d) ambas reproduzem a preponderância dos princípios burgueses de supremacia da liberdade individual e da fraternidade entre as classes sociais.   
  
7.   “O Terror, que se tornou oficial durante certo tempo, é o instrumento usado para reprimir a contrarrevolução(...). É a parte sombria e mesmo terrível desse período da Revolução [Francesa], mas é preciso levar em conta o outro lado dessa política.”
Michel Vovelle. A revolução francesa explicada à minha neta. São Paulo: Unesp, 2007, p. 74-75.

São exemplos dos “dois lados” da política revolucionária desenvolvida na França, durante o período do Terror,
a) o julgamento e a execução de cidadãos suspeitos e o tabelamento do preço do pão.   
b) a prisão do rei e da rainha e a conquista e colonização de territórios no Norte da África.   
c) a vitória na guerra contra a Áustria e a Prússia e o fim do controle sobre os salários dos operários.   
d) a ascensão política dos principais comandantes militares e a implantação da monarquia constitucional.   
e) o início da perseguição e da repressão contra religiosos e a convocação dos Estados Gerais.   
  
8.   Convenção Nacional, Reação Termidoriana, Diretório, Terror e 18 Brumário são fatos e movimentos que compõem o processo acontecido entre maio de 1789 e novembro de 1799. As várias fases da Revolução Francesa dão conta das diferenças e divergências existentes entre os grupos que conduziram o movimento revolucionário.

Assinale a única alternativa INCORRETA. 
a) O Golpe do “18 Brumário” foi uma tentativa desesperada da nobreza de voltar ao poder. Napoleão Bonaparte vinha de urna família de tradicionais jacobinos, e era contra a monarquia, mas mesmo assim aceitou liderar o ataque ao Palácio de Versalhes, que trouxe Luís XVI de volta ao poder.   
b) A Convenção Nacional governou a França entre 1792 e 1795 adotando um regime republicano. Os jacobinos eram a maioria entre os membros da Convenção e foi por isso mesmo que o rei Luís XVI foi julgado, acusado de traição e executado na guilhotina em 1793.    
c) O golpe “9 de Termidor”, ou Reação Termidoriana, marcou a ascensão da ala moderada da burguesia ao poder. Os girondinos, que representavam a burguesia comercial, conseguiram, por um ato de força, afastar as camadas populares (jacobinos) do centro do poder político.    
d) A Convenção criou o Comitê de Salvação Pública, que combatia os contrarrevolucionários praticando o “Terror”. Primeiro foram os monarquistas, os girondinos e os moderados a serem guilhotinados. Depois, até os grupos mais próximos aos jacobinos foram alcançados pelo Terror.    
e) O Diretório foi eleito em 1795, baseado em uma aliança com o exército e incumbido de elaborar a nova Constituição da República francesa que nascia. Para a burguesia, o Diretório deveria ser moderado e manter a revolução longe da república democrática Jacobina e do Antigo Regime.    
  
9.   Felizmente, a Revolução Francesa ainda está viva. Pois a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade, os valores da Razão e do Iluminismo – os valores que construíram a civilização moderna (...) – são mais necessários do que nunca, na medida em que o irracionalismo, a religião fundamentalista, o obscurantismo e a barbárie estão, mais uma vez, avançando sobre nós. É, portanto, uma boa coisa que, no ano de seu bicentenário (1989), tenhamos a ocasião de pensar novamente sobre os acontecimentos históricos que há dois séculos transformaram o mundo. Para melhor.
(Hobsbawm, Eric. Ecos da Marselhesa: Dois séculos reveem a Revolução Francesa. São Paulo: Companhia da Letras, 1996. p. 127. In: Marques, Adhemar. Pelos caminhos da história. Ensino médio. Curitiba: Positivo, 2006. p. 254.)

Na visão do autor do texto, um dos mais conceituados historiadores de nosso tempo, a “Revolução Francesa ainda está viva”. 
Acerca do pensamento de Hobsbawm e os acontecimentos que permeiam o cotidiano atual, é correto afirmar que
a) é possível estabelecer relações de semelhança entre os atores sociais, que protagonizaram a revolução burguesa em questão, e os embates, que ainda permanecem presentes em nossa sociedade.   
b) a presença de sinais de conflito, tais como o “irracionalismo” e o “obscurantismo”, citados pelo historiador, comprova a total ineficácia do processo revolucionário empreendido em 1789.   
c) percebe-se, nos dias atuais, que os entraves feudais, os quais foram os grandes causadores da Revolução Francesa, permanecem como uma constante na realidade de toda a Europa Ocidental.   
d) como ainda existem, na atualidade, as mesmas classes sociais do período moderno, palco da Revolução Francesa, a história permanece a mesma, sem alterações que possam ser consideradas válidas.   
  
10.   Oh! Aquela alegria me deu náuseas. Sentia-me ao mesmo tempo satisfeito e descontente. E eu disse: tanto melhor e tanto pior. Eu entendia que o povo comum estava tomando a justiça em suas mãos. Aprovo essa justiça, mas poderia não ser cruel? Castigos de todos os tipos, arrastamentos e esquartejamentos, tortura, a roda, o cavalete, a fogueira, verdugos proliferando por toda parte trouxeram tanto prejuízo aos nossos costumes! Nossos senhores colherão o que semearam.
Graco Babeuf, citado por R. Darnton. O beijo de Lamourette. Mídia, cultura e revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 31. Adaptado.

O texto é parte de uma carta enviada por Graco Babeuf à sua mulher, no início da Revolução Francesa de 1789. O autor
a) discorda dos propósitos revolucionários e defende a continuidade do Antigo Regime, seus métodos e costumes políticos.   
b) apoia incondicionalmente as ações dos revolucionários por acreditar que não havia outra maneira de transformar o país.   
c) defende a criação de um poder judiciário, que atue junto ao rei.   
d) caracteriza a violência revolucionária como uma reação aos castigos e à repressão antes existentes na França.   
e) aceita os meios de tortura empregados pelos revolucionários e os considera uma novidade na história francesa.   
  
11.   Os diversos grupos envolvidos na Revolução Francesa interpretaram diferentemente os princípios teóricos que a fundamentaram. Uma interpretação desses princípios pode ser exemplificada no Manifesto dos Iguais, que se expressava nos seguintes termos:

Desde a própria existência da sociedade civil, o atributo mais belo do homem vem sendo reconhecido sem oposição, mas nem uma só vez pôde ver-se convertido em realidade: a igualdade nunca foi mais do que uma bela e estéril dicção da lei. E hoje, quando essa igualdade é exigida numa voz mais forte do que nunca, a resposta é esta: “Calai-vos, miseráveis! A igualdade não é realmente mais do que uma quimera; contentai-vos com a igualdade relativa: todos sois iguais em face da lei. Que quereis mais, miseráveis?” Que mais queremos? Queremos igualdade efetiva ou a morte. De que mais precisamos além da igualdade de direitos? Queremos vê-la entre nós, sob o teto das nossas casas.
BABEUF, Graco. Manifesto dos Iguais. 

Elaborado na fase do Diretório, esse Manifesto inspirou a “Conspiração dos Iguais”, que foi sufocada, e seu líder, Graco Babeuf, preso e executado.
No contexto da Revolução Francesa, esses acontecimentos evidenciam que
a) o partido conservador, cujos membros eram conhecidos como realistas, uniu-se à alta burguesia e lutava para restaurar a monarquia.   
b) a facção dos radicais, liderada por Robespierre, temia a ascensão das massas operárias.   
c) os ideais inspiradores do movimento revolucionário foram aplicados na medida em que atenderam os interesses da burguesia.   
d) as ideias radicais orientaram a ação dos jacobinos, que assumiram a liderança do processo revolucionário.   
  
12.   Que o preço de todos os gêneros de primeira necessidade seja fixado invariavelmente sobre os dos ditos antigos, depois de 1789 até, inclusive, o ano 90, proporcionalmente às suas qualidades diversas; que as matérias-primas sejam também tabeladas, de maneira que os lucros da indústria, os salários do trabalho e os benefícios do comércio possam facultar ao homem industrioso, ao agricultor, ao comerciante, adquirir a coisas necessárias e indispensáveis à subsistência, e ainda tudo quanto possa contribuir para o bem-estar.
(Albert Soboul. História da Revolução Francesa)

A medida tratada no texto e colocada em vigor durante a Revolução Francesa pelo Comitê de Salvação Pública foi:
a) a Lei do Máximo;   
b) a Lei dos Suspeitos;   
c) a redação dos cadernos de queixas;   
d) a abolição dos direitos feudais;   
e) a abolição das corporações de ofício.   
  
13.   “A execução de Luís XVI, em janeiro de 1793, abalou a nobreza europeia. No interior da França, eclodiram revoltas (...). No exterior, formou-se a Primeira Coligação europeia (...). A França foi novamente invadida. (...) Teve início então, o Período do Terror, que se estenderia até julho de 1794.”

O Período do Terror, caracterizado pela radicalização do processo revolucionário, ocorreu durante a fase da (o)
a) Monarquia Constitucional e era chefiado por jacobinos.   
b) Diretório e era dirigido por girondinos.   
c) Assembleia Legislativa e era comandado por “sans-culottes”.   
d) Assembleia Nacional Constituinte e era orientado por girondinos.   
e) Convenção Nacional e era liderado por jacobinos.   
  
14.   No início da Revolução Francesa, a Assembleia Nacional Constituinte promulgou, em 26 de agosto de 1789, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que estabelecia: “Os homens nascem e são livres e iguais em direitos” (art. 1º). 

Tal texto reflete uma característica do pensamento liberal, que:
a) eliminava a ordem social e política calcada nos privilégios de nascimento;   
b) fortalece o poder real;   
c) preservava os direitos seculares do clero e da nobreza;   
d) proclamava a igualdade econômica de todos.   
  
15.   “ Santa Guilhotina, protetora dos patriotas, rogai por nós;
Santa Guilhotina, terror dos aristocratas, protegei-nos;
Máquina adorável, tende piedade de nós;
Máquina adorável, tende piedade de nós;
Santa Guilhotina, livrai-nos de nossos inimigos.”
(In ARASSE, Daniel. A Guilhotina e o Imaginário do Terror. SP: Atica, 1989. p 106-107)

A leitura do texto remete ao período da Revolução Francesa conhecido como Terror, que pode ser identificado como o momento
a) de diversas revoltas lideradas por trabalhadores rurais que pleiteavam o direito à terra, e contra os quais o governo girondino utilizou a guilhotina indiscriminadamente.   
b) de medidas populares, tais como o controle de preços e a reforma agrária, sob a liderança jacobina, durante o qual a guilhotina representava para muitos a justiça revolucionária.   
c) do apogeu do domínio burguês, caracterizado pela criação do Banco de França e pelo aumento do comércio francês com as nações europeias, durante o qual a guilhotina simbolizava a eliminação dos resquícios feudais.   
d) do retorno da nobreza em uma ação contrarrevolucionária, que eliminou as lideranças burguesas e populares que haviam iniciado o processo revolucionário e utilizou a guilhotina como protetora da pátria ameaçada.   
e) resultante da Lei de Cercamentos, que provocou a expulsão dos camponeses de suas terras e sua execução sumária, através do uso da guilhotina.   
 
Gabarito:  

Resposta da questão 1:  [A]

Somente a proposição [A] está correta. A questão remete ao longo processo de transição das estruturas feudais para as estruturas capitalistas. Na Baixa Idade Média, séculos XII-XV, ocorreram inúmeras transformações na Europa que contribuíram para o início da crise feudal. Surgiu a burguesia que dinamizou a economia através do comércio, moeda e mundo urbano. A Idade Moderna, séculos XV-XVIII, foi caracterizada pelo capitalismo comercial-mercantil e com acúmulo de capital nas mãos da burguesia. No final do século XVIII ocorreram dois grandes fatos históricos que contribuíram muito para o fim do mundo feudal e a consolidação do capitalismo. Trata-se da Revolução Francesa e da Revolução Industrial.  

Resposta da questão 2:  [A]

A questão remete a Revolução Francesa, 1789-1799. A Revolução Francesa foi uma revolução burguesa que destruiu o “Antigo Regime” (Absolutismo e Mercantilismo) implantando as bases do capitalismo liberal-industrial na França. A primeira fase do movimento é denominada de Assembleia Nacional Constituinte, 1789-1791 na qual ocorreram fatos importantes para a Revolução Francesa e para a posteridade, tais como: o fim dos privilégios feudais no dia 4 de agosto de 1789, a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão em 26 de agosto de 1789, a Constituição Civil do Clero de 1790 subordinando a Igreja ao Estado e a constituição de 1791.  

Resposta da questão 3: [A]

A questão remete a Revolução Francesa, 1789-1799, em especial ao período da Convenção Nacional, 1792-1795. Em meados de 1793, os Jacobinos com apoio dos Sans Culottes assumiram o poder dentro da Convenção Nacional e implantaram um governo ancorado em reformas sociais significativas e o terrorismo através da guilhotina. Robespierre, "o incorruptível”, apoiado nas ideias do filósofo iluminista Rousseau tornou-se o maior líder dos jacobinos. Neste período foram criados comitês como o de “Salvação Nacional” e de “Salvação Pública” que julgavam os opositores da revolução.  

Resposta da questão 4: [B]

Ás vésperas da Revolução Francesa, a pirâmide social francesa contava com três camadas sociais hierarquicamente organizadas, a saber: (1) primeiro estado – clero, (2) segundo estado – nobreza e (3) terceiro estado – trabalhadores e burguesia (povo em geral).

O terceiro estado não possuía direitos ou participação política, tendo como única obrigação trabalhar, pagar impostos e sustentar a França. Por essa razão, o movimento revolucionário teve início.  

Resposta da questão 5: [E]

A afirmativa [II] está incorreta porque a Fase do Terror foi liderada pelo lado jacobino do Terceiro Estado, e não pelo lado girondino.  

Resposta da questão 6: [A]

As citações deixam claro que Jacobinos e Girondinos tinham posições bem diferentes na França, apesar de derivarem do Terceiro Estado. Os primeiros eram radicais no modo de pensar e agir, tanto que defendiam eleições diretas e a morte de qualquer opositor do povo. Os últimos pensavam e agiam de maneira moderada, dando ênfase ao pensamento burguês, como fica claro nas afirmações “garantir a propriedade do rico (...) [e] o usufruto do industrial (...)”.  

Resposta da questão 7: [A]

Somente a alternativa [A] está correta. Na Revolução Francesa, 1789-1799, ocorreu o período do “Terror” entre junho de 1793 até julho de 1794 no contexto da Convenção nacional. Os jacobinos liderados por Robespierre com apoio dos Sans culottes utilizaram a guilhotina e mataram muitas pessoas consideradas traidoras da revolução. No entanto, apesar do terror e da violência, os jacobinos adotaram algumas medidas sociais importantes como a lei do máximo que congelou preços e aboliu a escravidão nas colônias das França, criou um novo sistema de pesos e medidas, entre outras medidas importantes. As demais alternativas estão incorretas. O rei foi guilhotinado antes do período do terror. Em setembro de 1792 foi adotada a república na França. A perseguição aos religiosos começou antes e a convocação dos Estados Gerais ocorreu em 1789.  

Resposta da questão 8: [A]

O Golpe do 18 Brumário – que levou Napoleão ao poder – foi articulado pelos girondinos (grupo do Terceiro Estado cuja atuação era moderada) com a intenção de (1) pôr fim às disputas entre os grupos do Terceiro Estado e (2) consolidar a Revolução.  

Resposta da questão 9: [A]

A proposição [A] está correta. A Revolução Francesa, 1789-1799, liderada pela burguesia, foi inspirada no ideário iluminista, sobretudo as ideias de liberdade, igualdade e fraternidade. Em 1799, Napoleão Bonaparte deu um golpe de Estado chamado “Golpe do 18 Brumário” colocando fim a Revolução Francesa. No entanto, os trabalhadores da França e de todo o mundo não usufrui de liberdade, igualdade e fraternidade. Esta bandeira da Revolução Francesa é muito atual considerando que temos ainda muito para conquistar. As demais alternativas estão incorretas. Não temos hoje as mesmas classes sociais da Idade Moderna. Atualmente não há na Europa entraves feudais, estes foram suprimidos na era das “Revoluções Burguesas”.  

Resposta da questão 10: [D]

O texto mostra os sentimentos de Graco Babeuf em relação aos eventos que iniciaram a Revolução Francesa, em 1789. Tais sentimentos apresentam-se contraditórios, embora, ao final, Babeuf deixe claro que a ação violenta dos revolucionários era uma resposta aos abusos cometidos pelo Antigo Regime francês ("Nossos senhores colherão o que semearam"). Posteriormente, na fase da Revolução Francesa conhecida como Diretório, Graco Babeuf liderou a Conjura dos Iguais.  

Resposta da questão 11: [C]

A fase do Diretório iniciou-se com a derrubada do governo de Robespierre e a execução de diversos líderes populares. Essa fase é muitas vezes compreendida como “contra revolução burguesa”, momento em que os projetos populares perdem espaço e o país passa a ser comandado pela burguesia. A Conspiração dos Iguais foi a principal manifestação contra o projeto burguês que se implementava.  

Resposta da questão 12: [A]

O texto discorre sobre a fase radical da Revolução Francesa, na qual o partido jacobino governou. Uma das medidas tomadas nesse período foi a Lei do Máximo sobre as mercadorias, que, dessa forma, pretendia ajudar os mais pobres.  

Resposta da questão 13: [E]

É preciso conhecer a cronologia da Revolução Francesa para responder a esta questão. Se o estudante conhecer as propostas dos grupos políticos envolvidos no processo revolucionário, também conseguirá resolver à questão de forma tranquila, uma vez que os jacobinos são conhecidos por seu radicalismo.
O único fator que poderia complicar o aluno é a alternativa [A]. Mas, por outro lado, a execução de Luís XVI marca o fim da monarquia na França durante esse período.  

Resposta da questão 14: [A]

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão buscava, dentre outras coisas, acabar com um dos maiores males da época do Antigo Regime: a valorização social a partir do critério de nascimento. Tal valorização beneficiava a Nobreza e estabelecia uma hierarquização social prejudicial às camadas mais baixas da sociedade.  

Resposta da questão 15: [B]

Em 1792, inicia-se na França o governo da Convenção, dominada pelos jacobinos (radicais) sob a liderança de Robespierre, Danton e Marat que organizaram as guardas nacionais, encarregadas de eliminar qualquer oposicionista ao novo governo conduzindo-os à guilhotina. Muitos integrantes da nobreza e outros franceses de oposição foram condenados a morte neste período. A violência e a radicalização política são as marcas desta época, chamada também de fase do Terror.  

sábado, 8 de abril de 2017

20 QUESTÕES SOBRE O PERÍODO JOANINO (1808-1821)


Fala, Galera!!!
Essa nova lista de exercícios tem como tema o Período Joanino, a pedidos da aluna do CEDA - Cabo Frio/RJ Mariana Dornellas... aqui pediu ganha as questões do tema pedido.
OBS.:Estou bastante feliz, a fanpage @professorcassionunes no facebook chegou aos 500 seguidores!!!
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1.   Em 1808, a família real portuguesa, fugindo do cerco napoleônico, transferiu-se para o Brasil que, de colônia, se tornou sede da monarquia e do vice-reino. Os treze anos durante os quais a corte permaneceu no Rio de Janeiro tiveram grande importância política e econômica e foram seguidos pela declaração de independência do Brasil em 1822.
OLIVEN, Rubem George. “Cultura e modernidade no Brasil”.

Uma das principais características socioeconômicas desse período foi a(o)
a) diminuição do fluxo de mercadorias.   
b) início do ciclo econômico da borracha.    
c) abertura dos portos ao comércio exterior.   
d) ampliação das relações bilaterais com os EUA.   
e) elevação do Brasil à condição de protetorado da Inglaterra.    
  
2.   Em 2015 o Rio de Janeiro comemorou 450 anos de sua fundação. Ao longo dos séculos, a cidade passou por uma série de mudanças e transformações que resultaram na capital do estado que temos hoje.
Dentre estas mudanças podemos citar:
a) a ocupação francesa no centro do Rio de Janeiro no século XVIII, inclusive a Ilha de Villegagnon, sede da França Antártica.   
b) a destruição das plantações de cana-de-açúcar pelos holandeses por conta da concorrência do açúcar produzido nas Antilhas durante o século XVII.   
c) o surgimento de ruas e o alargamento de algumas já existentes e a criação de instituições por D. João VI a partir de 1808, como o Jardim Botânico e a Biblioteca Real.   
d) a Revolução do Porto que em 1820 paralisou o porto principal do Rio de Janeiro por conta das altas tarifas alfandegárias sobre os escravos.   
  
3.   Leia o texto a seguir:

“A abertura dos portos às nações amigas, em 1808, permitiu que o Brasil fosse invadido por artigos importados dos mais variados, principalmente de origem inglesa. Os produtos ligados à indumentária e à beleza deram novo fôlego à vaidade dos homens e mulheres de então. O período imperial no Brasil foi marcado por modos e modas que acompanharam as grandes mudanças políticas, econômicas e sociais. Roupas, acessórios, joias e penteados revelam como se comportavam as pessoas, a sutileza de seus costumes e os códigos secretos da vida em sociedade.
O acesso aos itens de luxo, entretanto, não tornou os moradores das terras brasileiras mais elegantes aos olhos dos viajantes estrangeiros.”
RASPANTI, Márcia Pinna. Que deselegantes.

A partir da leitura do texto, é possível afirmar:

I. Com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, os brasileiros tiveram mais acesso aos produtos ingleses.
II. As mudanças ocorridas nos modos e na moda no contexto do período Imperial brasileiro foram bastante sutis.
III. Roupas, acessórios e joias são itens supérfluos que pouco informam sobre os costumes de uma época.
IV. Os viajantes estrangeiros que passaram pelo Brasil nesse período não registraram informações relevantes sobre a vestimenta dos brasileiros.

Está(ão) CORRETA(S):
a) I e II, apenas.   
b) II e III, apenas.   
c) I, apenas.   
d) III e IV, apenas.   
e) I, II e IV, apenas.   
  
4.   Em 1 de abril de 1808, durante a regência de D. João, o alvará de 1785 foi revogado, o que permitiu a liberação e o estabelecimento de indústrias e manufaturas no Brasil. Apesar disso, na prática, essa providência não alcançou seus objetivos de capacitar o país para desenvolver suas indústrias, porque
a) os acordos de parceria estabelecidos entre o Brasil e a Inglaterra, para o incremento técnico das manufaturas nacionais, foram cancelados por falta de interesse da elite agrária do nosso país.   
b) D. João, apesar de ter permitido a instalação de manufaturas no país, defendia a superioridade dos produtos industrializados europeus perante os similares nacionais.   
c) faltava ainda, a adoção de uma política de proteção alfandegária nacional, diante da concorrência das mercadorias britânicas, além do nosso mercado consumidor interno não ser muito amplo.   
d) novos acordos comerciais foram assinados com potências europeias, o que ampliou os privilégios dos comerciantes estrangeiros no nosso país, em detrimento dos interesses nacionais.   
e) apesar de a Inglaterra ter honrado os acordos comerciais e entregado máquinas e equipamentos industriais, a nossa mão de obra escrava não tinha especialização necessária para o trabalho na indústria.   
  
5.   No ano de 1808, a Corte portuguesa instalou-se no Brasil. A partir desse momento, um processo de desenvolvimento científico-cultural ocorreu, com a fundação de instituições, como Biblioteca Pública e Imprensa Régia. Também foram criados, com o passar do tempo, diferentes cursos, como o da Academia Real Militar e da Faculdade de Medicina.

Marque a alternativa que demonstra o principal objetivo do governo ao instituir o desenvolvimento desses cursos.
a) Fortalecer o sistema público da educação brasileira, existente desde a fundação das primeiras vilas.   
b) Fortificar a colônia contra os ataques das esquadras inglesas, formando quadros para o exército.   
c) Desenvolver novas tecnologias para a crescente indústria portuguesa.   
d) Controlar a imprensa local através da censura.   
e) Formar recursos humanos para atender às necessidades da Corte.   
  
6.   Em 1808, a família real portuguesa chegou ao Brasil. Enquanto esteve na colônia, uma série de transformações aconteceram. Sobre esse período, leia e analise as afirmações abaixo:

I. Algumas atividades antes proibidas passaram a ser liberadas na colônia, como a tipografia.
II. Ainda que a família real tenha se transferido para a colônia também em função da política expansionista de Napoleão Bonaparte, artistas franceses foram convidados a virem ao Brasil.
III. A família real portuguesa foi transferida para o Brasil para resolver os problemas causados pelo fim da Guerra do Paraguai.
IV. A abertura dos portos às nações amigas beneficiou, em especial, a França e a Espanha, parceiras econômicas de Portugal.

Assinale a alternativa CORRETA
a) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras.    
b) Apenas as afirmações I, II e IV são verdadeiras.    
c) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.    
d) Apenas as afirmações I, II, e III são verdadeiras.    
e) Todas as afirmações são verdadeiras.   
  
7.   Em 1806, o Imperador francês Napoleão Bonaparte anunciou o Bloqueio Continental à Inglaterra, estabelecendo que nenhum país europeu poderia comercializar com os ingleses. O rei de Portugal, pressionado pela onda liberal da Revolução Francesa e apoiado pela Inglaterra, fugiu para a colônia portuguesa, na América, para esperar a situação se normalizar.

Com relação à presença da Família Real portuguesa no Brasil é CORRETO afirmar que:
a) A Revolução Farroupilha, ocorrida no sul do Brasil, tinha como principal objetivo expulsar a Corte portuguesa e proclamar a independência da colônia americana.   
b) Salvador foi elevada à condição de capital do Reino Unido de Portugal e Algarves, tornando-se o maior centro político, econômico e cultural da colônia.   
c) A presença da Corte portuguesa no Brasil, exercendo um governo absolutista e conservador, contribuiu para retardar a Independência do Brasil, pois as melhorias administrativas e econômicas deixaram a elite liberal brasileira satisfeita.   
d) Chegando ao Brasil, D. João VI tratou logo de cumprir o prometido aos ingleses e decretou a abertura dos portos, em 1808, para as nações amigas comercializarem diretamente com a colônia.   
e) Em 1821, os franceses foram expulsos de Portugal e D. João VI foi chamado para assumir o trono português, mas ele preferiu ficar no Brasil. Esse fato ficou conhecido como “Dia do Fico”.   
  
8.   A transferência da corte trouxe para a América portuguesa a família real e o governo da Metrópole. Trouxe também, e sobretudo, boa parte do aparato administrativo português. Personalidades diversas e funcionários régios continuaram embarcando para o Brasil atrás da corte, dos seus empregos e dos seus parentes após o ano de 1808.
NOVAIS, F. A.; ALENCASTRO, L. F. (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1997.

Os fatos apresentados se relacionam ao processo de independência da América portuguesa por terem
a) incentivado o clamor popular por liberdade.   
b) enfraquecido o pacto de dominação metropolitana.   
c) motivado as revoltas escravas contra a elite colonial.   
d) obtido o apoio do grupo constitucionalista português.   
e) provocado os movimentos separatistas das províncias.   
  
9.   ... é comumente, datado a partir de 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil. A verdade dessa proposição reside, em especial, na montagem pelo Príncipe, e depois Rei, João VI, de um aparelho governativo no Brasil. Tal criação dá-se, por um lado, através da transferência de órgãos portugueses e, de outro, com o surgimento, no Rio de Janeiro, de estruturas típicas de uma capital, com bibliotecas, um jornal, instituições de fomento. Ao mesmo tempo, são substituídos os institutos de caráter colonial, como os monopólios e as restrições industriais e comerciais. Por fim, todo o processo é coroado pela assinatura de dois tratados com a Inglaterra, um de Aliança e Amizade e outro de Comércio e Navegação, em 1810.
(Monteiro, Hamilton de Mattos. In: Linhares, Maria Yedda. História Geral do Brasil. 14ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 1990. p. 129.)

O trecho anterior se refere ao processo de
a) abolição da escravidão.   
b) independência do Brasil.   
c) descolonização da região Sul do país.   
d) desenvolvimento industrial no Brasil.   
  
10.   No texto “O Império enfermo”, Cláudio Bertolli Filho afirma:

A vinda da Corte portuguesa para o Brasil em 1808 determinou mudanças na administração pública colonial, inclusive na área de saúde. Como sede provisória do império lusitano e principal porto do país, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o centro das ações sanitárias. Com elas, dom João VI procurou oferecer uma imagem nova de uma região que os europeus definiam como território da barbárie e da escravidão.
Fonte: BERTOLLI FILHO, Cláudio. História da saúde pública no Brasil. 4.ed. São Paulo: Ática, 2001. p. 8.

As ocorrências mencionadas estão inseridas numa sucessão em que podem ser destacados, seja como antecedentes, seja como consequentes, os seguintes processos:

I. a Primeira Revolução Industrial e a busca da Inglaterra pela hegemonia comercial na Europa e no mundo.
II. a Revolução Francesa e as tentativas de expansão das conquistas dos revolucionários burgueses para a Europa.
III. as disputas entre a Inglaterra e a França, o decreto do Bloqueio Continental com as repercussões para a Espanha e Portugal e seus domínios ultramarinos.
IV. a crise do sistema colonial, os processos de independência nas Américas e a implantação de Estados Nacionais em ex-colônias da Inglaterra, França, Espanha e Portugal.

Estão corretas
a) apenas I e II.   
b) apenas I e IV.   
c) apenas II e III.   
d) apenas III e IV.   
e) I, II, III e IV.   
  
11.   Leia o texto a seguir.

“[...] Todas as pessoas de qualquer qualidade e condição, que sejam, que fizerem armar e preparar Navios para o Resgate e Compra de Escravos em qualquer dos portos da Costa d'África situados ao Norte do Equador, incorrerão na pena de perdimento dos Escravos, os quais imediatamente ficarão libertos, para terem o destino abaixo declarado: E lhe serão confiscados os Navios empregados nesse tráfico com todos os seus aparelhos e pertences, e justamente a Carga, qualquer seja, que a seu bordo estiver por conta dos donos e fretadores dos mesmos Navios, ou dos carregadores de Escravos. E os oficiais dos Navios (...) e sobre a Carga, serão degradados por cinco anos para Moçambique, e cada um pagará uma multa [...]”.
Alvará Régio. “Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 1818”. SCHWARCZ, Lilia Moritz, GARCIA, Lúcia. Registros escravos: repertório das fontes oitocentistas pertencentes ao acervo da Biblioteca Nacional. Biblioteca Nacional: Rio de Janeiro, 2006, p. 31.

Analise as afirmativas sobre o texto.

I. Faz referência à proibição do comércio de escravos da Costa da África ao Norte do Equador, estabelecendo as respectivas penas para quem descumprisse a legislação.
II. Não faz referência à proibição do comércio de escravos, mas à abolição da escravatura no Brasil e no Equador implicando em pagamento de multas e degradação.
III. O texto faz referências ao processo de industrialização que substituiu a mão de obra escrava, agora liberta pelo fim da escravidão, pela mão de obra assalariada a partir do século XIX.
IV. Faz referências ao incentivo do tráfico negreiro e à implementação de instrumentos legais do comércio como o pagamento dos devidos impostos e multas.

Com base nessa análise, está(ão) CORRETAS apenas a(s) afirmativa(s)
a) IV   
b) I   
c) I e II   
d) III e IV   

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
Com a vinda da Corte, pela primeira vez, desde o início da colonização, configuravam-se nos trópicos portugueses preocupações próprias de uma colônia de povoamento e não apenas de exploração ou feitoria comercial, pois que no Rio teriam que viver e, para sobreviver, explorar “os enormes recursos naturais” e as potencialidades do Império nascente, tendo em vista o fomento do bem-estar da própria população local.
(Maria Odila Leite da Silva Dias. A interiorização da metrópole e outros estudos, 2005.)  


12.   A alteração na relação entre o governo português e o Brasil, mencionada no texto, pode ser notada, por exemplo,
a) na redução dos impostos sobre a exportação do açúcar e do algodão, no reforço do sistema colonial e na maior integração do território brasileiro.   
b) no estreitamento dos vínculos diplomáticos com os Estados Unidos, na instalação de um modelo federalista e na modernização dos portos.   
c) na ampliação do comércio com as colônias espanholas do Rio da Prata, na reurbanização do Rio de Janeiro e na redução do contingente do funcionalismo público.   
d) na abertura de estradas, na melhoria das comunicações entre as capitanias e no maior aparelhamento militar e policial.   
e) no restabelecimento de laços comerciais com França e Inglaterra, na fundação de casas bancárias e no aprimoramento da navegação de cabotagem.   
  
13.   A vinda da Corte portuguesa para o Brasil, ocorrida em 1808 e citada no texto, foi provocada, sobretudo,
a) pelo fim da ocupação francesa em Portugal e pelo projeto, defendido pelos liberais portugueses, de iniciar a gradual descolonização do Brasil.   
b) pela pressão comercial espanhola e pela disposição, do príncipe regente, de impedir a expansão e o sucesso dos movimentos emancipacionistas na colônia.   
c) pelo interesse de expandir as fronteiras da colônia, avançando sobre terras da América Espanhola, para assegurar o pleno domínio continental do Brasil.   
d) pela invasão francesa em Portugal e pela proximidade e aliança do governo português com a política da Inglaterra.   
e) pela intenção de expandir, para a América, o projeto de união ibérica, reunindo, sob a mesma administração colonial, as colônias espanholas e o Brasil.   
  
14.   Leia a entrevista.

FOLHA Estamos vivendo um momento de novas interpretações em relação ao período imperial?
MAXWELL – (...) o movimento de independência da década de 1820 não aconteceu no Brasil, mas em Portugal. Foram os portugueses que não quiseram ser dominados por uma monarquia baseada na América.
Com a rejeição da dominação brasileira, eles atraíram muitos dos problemas de fragmentação, guerras civis e descontinuidade que são parecidos com aqueles que estavam acontecendo na América espanhola.
É sempre importante, ao pensar a história do Brasil, considerar que ela não se encaixa em interpretações convencionais. É sempre necessário pensar um pouco de forma contrafactual, porque a história brasileira não segue a mesma trajetória de outras histórias das Américas. O rei estava aqui, a revolução liberal estava lá. A continuidade estava aqui, a descontinuidade estava lá.
Acho que isto explica muito das coisas que aconteceram depois no Brasil, no século 19.
Marcos Strecker, Para Maxwell, país não permite leituras convencionais.
Folha de S.Paulo, 25-11-2007.

“A história brasileira não segue a mesma trajetória de outras histórias das Américas”, pois
a) em 1824 foi promulgada a primeira constituição do Brasil, caracterizada pela divisão e autonomia dos três poderes e por uma legislação social avançada para os padrões da época, pois garantia o direito de voto a todos os brasileiros.   
b) com a grave crise estrutural que atingiu as atividades produtivas da Europa no início do século XIX, restou ao Brasil um papel relevante no processo de recuperação das bases econômicas industriais, com o fornecimento de algodão, tabaco e açúcar.   
c) os princípios e as práticas liberais do príncipe-regente Dom Pedro se chocavam com o conservadorismo das elites coloniais do centro-sul, defensoras de restrições mercantilistas com o intuito de conter a ganância britânica pela riqueza brasileira.   
d) com as invasões napoleônicas, desorganizaram-se os contatos entre a metrópole espanhola e seus espaços coloniais na América, situação diversa da verificada em relação ao Brasil, que abrigou a Corte portuguesa.   
e) a elite colonial nordestina – voltada para o mercado interno, defensora do centralismo político-administrativo e da abolição da escravatura – apostava na liderança e na continuidade no Brasil de Dom João VI para a efetivação desse projeto histórico.   
  
15.   O Brasil constituía então uma base essencial da economia portuguesa. A nossa exportação era quase toda (excetuando o vinho do Porto) canalizada para os portos brasileiros; a nossa importação vinha quase toda do Brasil; as matérias-primas tropicais faziam escala em Lisboa e daqui eram exportadas para o exterior. (...) A emancipação econômica do Brasil (em 1808) teve, portanto, consequências graves na economia portuguesa. A antiga colônia passara, em poucos anos, de fonte de rendimento à fonte de despesa.
SARAIVA, J. H. História de Portugal. Lisboa: Europa-América, 1996. p. 274.

No contexto das medidas liberais decretadas por D. João VI no Brasil, a “emancipação econômica do Brasil”, que o historiador português apresenta como danosa à economia portuguesa, é resultado da
a) autonomia administrativa advinda da elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves.   
b) autonomia financeira garantida com a criação do Banco do Brasil, que passou a emitir papel moeda.   
c) liberação manufatureira estabelecida pelo Alvará de 1º de abril, que permitiu as instalações de indústrias no Brasil.   
d) incrementação do comércio brasileiro a partir da assinatura do Tratado de Comércio e Navegação com a Inglaterra.   
e) liberdade de comércio estabelecida pelo decreto de Abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas de Portugal.   
  
16.   Fui à terra fazer compras com Glennie. Há muitas casas inglesas, tais como celeiros e armazéns não diferentes do que chamamos na Inglaterra de armazéns italianos, de secos e molhados, mas, em geral, os ingleses aqui vendem suas mercadorias em grosso a retalhistas nativos ou franceses. (...) As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras Superfino de Londres saltam aos olhos: algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas, acima de tudo, ferragens de Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro do que em nossa terra nas lojas do Brasil.
Maria Graham. Diário de uma viagem ao Brasil. São Paulo, Edusp, 1990, p. 230 (publicado originalmente em 1824). Adaptado.

Esse trecho do diário da inglesa Maria Graham refere-se à sua estada no Rio de Janeiro em 1822 e foi escrito em 21 de janeiro deste mesmo ano. Essas anotações mostram alguns efeitos
a) do Ato de Navegação, de 1651, que retirou da Inglaterra o controle militar e comercial dos mares do norte, mas permitiu sua interferência nas colônias ultramarinas do sul.   
b) do Tratado de Methuen, de 1703, que estabeleceu a troca regular de produtos portugueses por mercadorias de outros países europeus, que seriam também distribuídas nas colônias.   
c) da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, decretada por D. João em 1808, após a chegada da família real portuguesa à América.   
d) do Tratado de Comércio e Navegação, de 1810, que deu início à exportação de produtos do Brasil para a Inglaterra e eliminou a concorrência hispano-americana.   
e) da ação expansionista inglesa sobre a América do Sul, gradualmente anexada ao Império Britânico, após sua vitória sobre as tropas napoleônicas, em 1815.   
  
17. “Obrigado pelas imperiosas circunstâncias (...) a transportar a sede do império temporariamente para outra parte dos meus domínios, (...) foi necessário procurar elevar a prosperidade daquelas partes do império (...) para que elas pudessem concorrer às despesas necessárias para sustentar a honra e o esplendor do trono e para segurar sua defesa contra a invasão de um poderoso inimigo. Para este fim (...) fui servido a adotar os princípios (...) da liberdade e franquia do comércio e diminuição dos direitos de alfândegas (...)”.
Príncipe regente, D. João VI, Rio de Janeiro, 7/3/1810.

A diminuição dos direitos de alfândega de que trata o texto, consequências dos Tratados de 1810, resultou no
a) aumento das exportações brasileiras na medida em que se legalizou o comércio com outros países da Europa.   
b) incremento e consolidação do domínio inglês sobre o Brasil em função dos privilégios comerciais garantidos à Inglaterra.   
c) estabelecimento no Brasil, das primeiras estradas de ferro interligando áreas produtoras aos portos, agilizando as exportações.   
d) desenvolvimento da indústria manufatureira do Brasil incentivada pela entrada de capitais estrangeiros, em particular ingleses.   
e) crescimento da produção agrária da colônia para atender a demanda dos vários países que passaram a comprar matéria prima brasileira.   
  
18.   Nossa independência não foi obra de um único ato – o grito do Ipiranga em 7 de setembro de 1822. Foi, sim, o resultado de um processo iniciado com
a) o “Dia do FICO”, isto é, quando o Príncipe Regente D. Pedro rompeu com as Cortes de Lisboa, que exigiam sua volta.Desobedecendo-lhes, resolveu permanecer no Brasil.   
b) a Abertura dos Portos às Nações Amigas, obra do Príncipe D. João, em 1808, logo após a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. Pondo fim ao Pacto Colonial, rompiam-se as amarras com Portugal, pois o monopólio estava extinto.   
c) a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves, em 1815, por ordem de D. João, príncipe Regente de Portugal.   
d) o Golpe da Maioridade, que emancipou D. Pedro de Alcântara. Obra dos ‘ maioristas’, deu início a uma nova fase na história do Brasil.   
e) o regresso de D. João VI a Portugal. Pressionado pelas Cortes de Lisboa e pela Revolução do Porto, de 1820, o monarca regressou a Portugal, dando instruções a seu filho D. Pedro para que fizesse a independência do Brasil.   
  
19.   “Eis que uma revolução, proclamando um governo absolutamente independente da sujeição à corte do Rio de Janeiro, rebentou em Pernambuco, em março de 1817. É um assunto para o nosso ânimo tão pouco simpático que, se nos fora permitido [colocar] sobre ele um véu, o deixaríamos fora do quadro que nos propusemos tratar.”
F. A. Varnhagen. História geral do Brasil, 1854.

O texto trata da Revolução pernambucana de 1817. Com relação a esse acontecimento é possível afirmar que os insurgentes
a) pretendiam a separação de Pernambuco do restante do reino, impondo a expulsão dos portugueses desse território.   
b) contaram com a ativa participação de homens negros, pondo em risco a manutenção da escravidão na região.   
c) dominaram Pernambuco e o norte da colônia, decretando o fim dos privilégios da Companhia do Grão-Pará e Maranhão.   
d) propuseram a independência e a república, congregando proprietários, comerciantes e pessoas das camadas populares.   
e) implantaram um governo de terror, ameaçando o direito dos pequenos proprietários à livre exploração da terra.   
  
20. Observe os retratos abaixo. 
   


Em 2010, foram comemoradas as relações Brasil-França, e verificamos que as interfaces que ligam as duas nações são marcantes ao longo de toda a nossa história. A presença da família real portuguesa no Brasil, em 1808, motivou, entre outros eventos, a vinda da Missão Artística Francesa, em 1816, porque
a) o estilo neoclássico trazido pelos artistas franceses traduzia o modelo ideal de civilização, de acordo com os padrões da classe dominante europeia, sendo essa a imagem que o governo português desejava transmitir, nesse momento, do Brasil.   
b) a arte acadêmica, fruto da Missão Francesa chefiada por Joaquim Lebreton, tinha, como objetivo, alterar o gosto e a cultura nacional, ainda marcadamente influenciada pela opulência do Barroco e pela tradição indígena.   
c) a arte acadêmica, afastando-se dos motivos religiosos e exaltando o poder civil, as datas e os personagens históricos, agradava mais às classes populares nacionais, ansiosas por imitarem os padrões europeus.   
d) somente artistas franceses poderiam retratar, com exatidão e competência, a paisagem e os costumes brasileiros, modificados com a vinda da família real para a colônia.   
e) era necessário criar, na colônia, uma Academia Real de Belas Artes, a fim de cultivar e estimular, nos trópicos, a admiração pelos padrões intelectuais e estéticos portugueses, reconhecidamente superiores.   
 
Gabarito:  

Resposta da questão 1: [C]

Resposta da questão 2: [C]

Resposta da questão 3: [C]

Resposta da questão 4: [C]

Resposta da questão 5: [E]

Resposta da questão 6: [C]

Resposta da questão 7: [D]

Resposta da questão 8: [B]

Resposta da questão 9: [B]

Resposta da questão 10: [E]

Resposta da questão 11: [B]

Resposta da questão 12: [D]

Resposta da questão 13: [D]

Resposta da questão 14: [D]

Resposta da questão 15: [E]

Resposta da questão 16: [C]

Resposta da questão 17: [B]

Resposta da questão 18: [B]

Resposta da questão 19: [D]


Resposta da questão 20: [A]